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terça-feira, 8 de março de 2011

Simples Seria

Tenho que admitir uma coisa pra vocês. Estou passando por uma fase de crise criativa, então tenho postado alguns textos que escrevi e postei há eras, e quase ninguém leu ou se lembra de ter lido... Bem, aqui vai mais um:

Simples Seria

Eram palavras leves e sussurradas, como a fumaça fina de um cigarro, inalada através do trago.Já era mais que hora daquilo ser dito, mas ainda não era hora de ser compreendido.Compreender aquilo significava romper barreiras e ir contra a razão. Tantas coisas podiam ser facilmente ignoradas. Mas a razão? Não, não era fácil de ignorá-la. A razão é como o chão, sólido sob seus pés, o impedindo de cair. Não queria abandoná-la, mesmo sabendo que isso implicaria em demorar mais a compreender aquelas palavras doces: amo você.

Boa terça, e até a próxima! =]

terça-feira, 1 de março de 2011

A Falta que Faz

Este texto é um conselho meu pra muitas mulheres que conheço.


A Falta que Faz

Constantemente ela se sentia vazia. Constantemente ela buscava alguém pra amar, acreditando que isso a preencheria. Diversas vezes saiu sem rumo, em busca de companhia. Diversas vezes acordou em camas desconhecidas, ao lado de homens que mal conhecia. Sempre pensava: "Será que é ele quem eu procuro?". Sempre se decepcionava: "Não, não é ele...".
Parecia que essa era uma busca impossível, e a cada homem com quem se relacionava, maior era sua frustração, a solidão e o vazio que sentia.
Depois de muito tempo ela finalmente compreendeu que não era alguém para amar que ela buscava, mas sim alguém que a amasse independente de suas histórias, de seu passado ou de seus defeitos. Logo no começo ela percebeu que isso dificultaria ainda mais a busca. Nem mesmo ela sabia se amava a si mesma, como esperar isso de outra pessoa?
Ao mesmo tempo, ela sabia que tinha vários amigos, tanto falsos quanto verdadeiros. Se eles gostavam dela, talvez não fosse impossível achar alguém que a amasse.
Desde então, com muitos homens ela dormiu, sempre tentando agradá-los, sempre tentando se convencer que mais cedo ou mais tarde encontraria a pessoa que procurava.
Muito tempo se passou, e seus métodos eram sempre os mesmos: um pouco de conversa, um pouco de álcool e, inevitavelmente, sexo.
Claro que ela fazia porque gostava de sexo, claro que ela podia transar com quem bem entendesse. Mas o que ela demorou a entender é que antes de fazer e gostar de sexo, antes de gostar de alguém, e antes de ser amada, ela precisava amar a si própria, se valorizar, para então poder se entregar verdadeiramente a alguém e receber isso de volta.
Tudo que faltava em sua vida era amor. Não pelos outros, mas por si mesma.

Boa terça à todos! =]

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Insônia

Pensamentos a mil, meu cérebro exaustamente funcionando. Insônia corrompe minhas noites há semanas já. Desespero, sono, canseira. Dificuldade extrema em dormir. Momentos exaustos e incansáveis me virando e revirando em minha cama, de um lado para o outro. Olhos fechados, mente esperta, trabalhando e funcionando. Criando textos, situações, oportunidades aproveitadas e perdidas. Imaginando coisas, cenas.
Ansiedade? Muita. Razão desconhecida.
Argumentos, situações - desejáveis e indesejáveis, momentos, pessoas, angústias agonia, alegrias. Isso tudo não para de saltar em minha mente como fleches ofuscando minha vista sem me deixar dormir...
Estomago dói, de leve. Ansiedade floresce mais e mais a cada instante, sem um motivo aparente. Mente funcionando e funcionando...
Por mais cansada que eu esteja, minha mente cada vez mais se mantém a mil, aparentemente incansável, porem exausta.
Ansiedade, nervosismo. Vazio.
Argumentos, reflexões, distorções. Pensamentos voam de modo conturbado e turbulento, com trancos e solavancos.
Minha vontade de dormir é muita, e meu corpo jogado, caído, numa cama confortável em um quarto escuro, simplesmente esquecido está num estado de exaustão absurda.
Dor em todos os músculos, na cabeça, no coração.
E assim mais uma noite de minha vida se passou, inutilmente demorada.

Texto escrito dia 12/05/2008.


terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Ficção


Escrevi este texto ouvindo esta música, e sugiro de coração que a carreguem antes de ler.

Olhando pela janela, nada via a não ser aqueles belos campos, com a mais linda luz que o sol, preparando-se para se por, poderia oferecer. Tudo estava calmo, as árvores e as plantações moviam-se levemente ao soprar suave da brisa.Seu rosto estava tranqüilo e relaxado.
Quem a visse, sentada à janela, somente pensaria que estava a admirar a bela paisagem. Porém sua mente estava acelerada, e pensava em muitas coisas ao mesmo tempo.Sabia que naquele instante a ignorância predominava em algum lugar da vila. Sabia que não haveria o que fazer, e nem pra onde fugir.
Sentia medo, mas seu maior sentimento era pena daquelas pessoas ignorantes que deixavam-se levar por sua crença estúpida em um deus vingativo.Sua consciência estava limpa. Nunca havia feito mal a ninguém, e sempre ajudou a todos que pode. Seu maior mal havia sido questionar aquela religião tantas vezes perversa, e cultivar um amor maior pela vida que pelo deus católico.
O sol começou a se por. Em breve seria possível ver a multidão se aproximando.Silêncio total, só quebrado pela sua respiração arfante. Nenhum animal se manifestava. Estava claro que eles se aproximavam.Poucos instantes depois já era possível ouvir os rugidos raivosos daquelas pessoas que nunca haviam demonstrado ódio por ela. Eles tinham fogo, e eram muitos. Na frente, guiando-os, vinha o dito sacerdote cristão. Gritava fervorosamente mentiras e falsos pecados, incentivando-os a avançar. Em seus gritos ele dizia que seria um pecado imperdoável deixá-la viver, e que Deus os puniria por isso.
A pena que ela sentia aumentou, e tudo que foi capaz de fazer foi soltar um suspiro que pairava entre a indignação e a piedade.
Os instantes se passavam e ela sabia que a hora se aproximava. Não havia o que fazer. Levantou-se a abriu a porta, em uma tentativa de evitar maior destruição. Voltou a sua cadeira e, com seus olhos fechados, tentou se desligar dos gritos e xingamentos. Respirando muito devagar, deixou-se levar pela energia que a dominava. Bebeu daquele liquido amargo e forte que há tantos dias preparara e deixou-se relaxar.
Segundos depois suas janelas foram quebradas e sua casa invadida. Para a decepção do povo, encontraram-na ali inconsciente. Morta? Talvez não, mas certamente sem consciência alguma do que se passava.
Obviamente isso não os impediu de queimá-la viva na fogueira já armada mas, definitivamente, a falta dos gritos agoniados tirou a maior parte do prazer que eles tinham em matar e nome de seu Deus.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

10 Minutos da Revolução Francesa

Silêncio total. Os únicos sons existentes eram a respiração apreensiva do povo e os passos incertos daquele que, há tão pouco tempo, fora rei.

Ruas sujas, dia sombrio. Com um capuz preto sobre seu rosto, andava aos tropeços pelas ruas desregulares, aquelas em que nunca havia pisado. Por sinal, aquelas mesmas ruas que tanto desprezara no auge de sua arrogância e de seu poder.

Passara os últimos dias preso, esperando por seu julgamento. Agora, considerado culpado, ia à guilhotina.

Um homem corpulento ia ao seu lado, empurrando-o entre aquela multidão incrédula.
O tempo parecia não correr. Sentia que a cada passo sua vida se desfazia. Uma vida tão luxuosa, tão rica e sempre tão arrogante, agora estava a se dispersar.

Finalmente a guilhotina. Obrigaram-no a ajoelhar-se perante a Morte, obrigaram-no a posicionar-se desajeitadamente na guilhotina. Fedia, tanto a guilhotina como ele mesmo. Um cheiro que havia sentido muito nos últimos dias. Cheiro de morte, de podridão.


A hora chegara. A qualquer instante aquela lâmina separaria sua cabeça de seu corpo.
O frio da lâmina mal tocou sua nuca e percebeu o sangue jorrando, aquecendo seus últimos suspiros de vida. Logo em seguida, sua cabeça foi levantada, exposta ao povo. A última coisa que percebeu foram rugidos de alegria.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

My First One


Muitas coisas já aconteceram às terças-feiras. Coisas grandes, coisas banais. Mas esta terça é especial. Esta terça é a primeira de muitas. Pra quem ainda não entendeu, vou explicar: inevitavelmente, às terças-feiras darei minha cara à tapa aqui.

Sinto-me na obrigação de avisá-los desde já que meus textos não seguem nenhum padrão (assim como meu humor). Escrevo o que me der na telha, prosa, poesia, verdades ou mentiras. Contos rápidos, de ficção, desabafos, idéias, sentimentos, às vezes sem nenhuma coesão. Às vezes meus textos agradam, mas muitas vezes não. (E normalmente quando rimam, não é proposital.)

Odeio posts introdutórios, e não quero mais enrolar, mas parece que eles acabam sendo inevitáveis pra mim.
Semana que vem a qualidade do texto será muito melhor. Eu garanto.

See you.