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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

10 Minutos da Revolução Francesa

Silêncio total. Os únicos sons existentes eram a respiração apreensiva do povo e os passos incertos daquele que, há tão pouco tempo, fora rei.

Ruas sujas, dia sombrio. Com um capuz preto sobre seu rosto, andava aos tropeços pelas ruas desregulares, aquelas em que nunca havia pisado. Por sinal, aquelas mesmas ruas que tanto desprezara no auge de sua arrogância e de seu poder.

Passara os últimos dias preso, esperando por seu julgamento. Agora, considerado culpado, ia à guilhotina.

Um homem corpulento ia ao seu lado, empurrando-o entre aquela multidão incrédula.
O tempo parecia não correr. Sentia que a cada passo sua vida se desfazia. Uma vida tão luxuosa, tão rica e sempre tão arrogante, agora estava a se dispersar.

Finalmente a guilhotina. Obrigaram-no a ajoelhar-se perante a Morte, obrigaram-no a posicionar-se desajeitadamente na guilhotina. Fedia, tanto a guilhotina como ele mesmo. Um cheiro que havia sentido muito nos últimos dias. Cheiro de morte, de podridão.


A hora chegara. A qualquer instante aquela lâmina separaria sua cabeça de seu corpo.
O frio da lâmina mal tocou sua nuca e percebeu o sangue jorrando, aquecendo seus últimos suspiros de vida. Logo em seguida, sua cabeça foi levantada, exposta ao povo. A última coisa que percebeu foram rugidos de alegria.

3 comentários:

  1. Divino, louco, insano, romântico ! Exatamente como meu Mestre Álvarez de Azevedo fazia !

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  2. Muito bom!
    faz a gente pensar né... como são os ultimos momentos da vida enquanto isso uma multidão vibra! nunca tinha pensado por esse ponto de vista =)
    adorei =)

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  3. Acho que vou acompanhar o blog... é bom ler coisas interessantes as vezes... mas só as vezes.
    Ah, muito bom Mia, curti o texto, é impressionante como uma mesma cena pode ser percebida por vários pontos de vista, aquele que esta para ser guilhotinado, aquele que assiste a execução e aquele que executa....

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