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segunda-feira, 14 de março de 2011

Gotejante


Boa Segunda-feira. Já é Carnaval, todo mundo bebendo, caindo e fazendo mer besteira. Pulando a parte de expôr verdades, venho com uma postagem tranquila, com mais uma crônica. Aproveitem ! Dica : ouçam essa música enquanto fazem a leitura - http://www.youtube.com/watch?v=24P0VnJENq8&feature=related

Gotejante
" Vela acesa sobre a mesa. Pouca iluminação. Impaciência perambulava pelos cômodos. Figura macérrima. Ilusão adocicada. Amor amargado pelo álcool. A criatura era inquieta.
Ninguém sabia seu nome, suas origens, seu passado, seus amores. A lenda que rondava o vilarejo é que era um monstro sem coração. Não se tinha notícias qual fora a última vez que viram àquela porta se abrir. Muito menos quando viram pela última vez a face desse ser misterioso. O único sinal que ele ainda tinha vida, era a fumaça que saía da chaminé, e quem arriscava passar por perto, via a pequena chama da vela acesa.
A lua banhava todo o campo esverdeado, com belos toques prateados, quando uma sombra se equilibra em seus devaneios. Febril, ébrio! Caiu. Caiu sobre a inocente vegetação imaculada, viva, frágil. A criatura tão temida, era um homem. Seu cansaço, estampado nos olhos, na face, no olhar. Correra, de algo, que não se sabe o que. 'Deus! Deus!', era o grito que ecoava pela vastidão solitária. Uma leve brisa tocava, repentinamente, causando o efeito de distorção da luz lunar. Espere! Uma silhueta prateada surge no horizonte, leve, flutuante, sutil e tênue. Seus passos eram puros, que seus pés não tocavam o chão. É mesmo, não tocavam o chão. Os gritos se misturavam com risadas, com socos na terra, até se ajoelhar e olhar para a Lua, pensando que a abraçava. A silhueta vinha, ele ia. Ela lenta, ele correndo. Ela não parava, ele tropeçava. Era uma corrida desesperadora, um grito de salvamento que se aproximava. Encontro! A silhueta se transforma, em meio a tanto nevoeiro, branco e suave, em uma bela mulher com vestido branco longo, longos cabelos castanhos e compridos. Não houve hesito: mergulhou nos braços de sua amante, se jogaram ao chão, enlouquecidos, enfurecidos. Porém, não havia campo, não havia Lua, não havia nevoeiro, muito menos mulher de vestido. A vela se findava, a escuridão tomava conta do quarto da pobre criatura sem coração, que adormecera, sobre as cartas de amor, molhadas pelo rubro de seu vinho, pelo rubro de seu sangue, gotejante de seus olhos sofridos e doloridos. Dormira...eternamente ! "

Escrito por Yan Masetto em 10 / 02 / 11

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