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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Janela da frente


Título : Janela da frente


Era mais uma noite,
inerente,
solitária,
nojenta,
ó, morta...

Em minha mesa, apenas se via papéis,
no chão, apenas papéis,
todos amassados,
todos cuspidos,
de ódio,
de luz,
de sangue,
de poeta...

Sentei-me,
diante dessa bagunça intelectual,
peguei em minha pena e,
simplesmente, cortei meu dedo,
e desse corte, fiz a tinta para minha poesia,
fiz de meu poder vermelho,
vida...

Ah, lembrei,
saí de meu conforto estático,
para minha viagem mais pura,
diante de meu " eu ",
liguei na vitrola,
aquele incrível solo,
" sax and true jazz ", dizia a capa...

Olhei pela janela,
chuva torrencial,
a música,
acelerada,
tum-tum,
tum-tum...
batida,
mas não era das notas,
nem do baixo, em seu solo,
era meu coração,
saltitante,
irregular,
em seu final...

Apoiei-me,
a janela se abriu,
vi água,
vi luzes,
vi fugas,
vi sombras,
vi dores,
vi sofrimento,
vi rubro,
vi rubro,
vi rubro,
vi minha vida,
se misturando a noite,
pela janela,
pela vida,
pela morte,
pelo Mundo,
tão mudo, calado, silencioso,
como quando a agulha levanta, e tudo se finaliza,
sem prévio aviso,
sem luz,
sem pestanejar,
sem rubro,
sem ideias,
sem dores,
apenas ali,
água, sangue,
poeta e poesia,
misturando-se,
num belísismo odor,
numa belíssima cor,
na mais pura luz...

Vem vento,
levanta tudo,
distorce, desarruma,
ah, onde me levará,
nesse instante,
de fuga,
de paixão perdida,
em meio a palavras,
versos, trovas e estorvos,
de uma mente sem rumo,
de um fim, sem começo,
de uma janela aberta,
que molha os papéis,
e o desespero toma conta,
juntamente a um xingamento!

Yan Masetto - 01/02/11

Sem mais delongas, para essa Segunda-feira, um traço de um momento de ócio, confuso e belo.Agradeço a atenção, para mais uma postagem de Yan Masetto, direto do interior paulistano, Ribeirão Preto.

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